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Mimetica Nota de método & caso · Setembro 2026
Piloto contínuo GLP-1 BR

Painel Vivo.

Quinze respondentes artificiais com memória entre ondas, cada um com jornada e voz própria — o que muda quando o painel lembra.

Todo painel tradicional começa do zero a cada onda. Você recruta, entrevista, entrega o relatório, arquiva. Duas semanas depois, quando a pergunta seguinte aparece, você recruta de novo — pessoas diferentes, sem memória do que a última onda descobriu, sem contexto do que o cliente aprendeu. A pesquisa vira colecionar fotografias soltas de mercados que evoluem.

A Mimetica construiu um formato oposto: um painel contínuo de quinze respondentes artificiais com identidade persistente, ancorados em corpo real de conversas coletadas em duas comunidades brasileiras de usuárias de tratamento de emagrecimento farmacológico. Cada respondente carrega um arquétipo estável, um histórico próprio, uma jornada específica — e responde a perguntas novas lembrando o que já disse antes. É o contrário do focus group descartável: é o focus group que vive.

Este documento descreve o piloto — implementado, em produção, com sessão real de exemplo — e explica em que ele é diferente das outras duas modalidades de pesquisa artificial que a Mimetica oferece (Twin-2K-BR e Validação Cega).

15
Respondentes persistentes
2
Comunidades-fonte (formal + informal)
21–35d
Arco mínimo de histórico por membro
Parte I · A composição

Quinze pessoas — cada uma uma pessoa, não um bloco.

O painel foi composto por seleção editorial cuidadosa a partir de duas comunidades brasileiras reais de usuárias de tratamento farmacológico para emagrecimento. Não é amostra estatística — é casting. Dez membros vêm de uma comunidade telehealth formal (canal oficial, prescrição regular, discussão do circuito regulamentado); cinco membros vêm de um circuito informal 100% feminino que discute mercado paralelo e produtos manipulados. A diversidade de arquétipos é o critério — não representatividade demográfica.

Cada membro passa por três filtros antes de entrar no painel: mínimo 21 dias de histórico verificável, mínimo 30 mensagens substantivas na comunidade-fonte, e atividade recente na janela de coleta. Membros que somem por duas ondas consecutivas são substituídos por decisão editorial (com bump de versão do painel — a linhagem se preserva).

Chave de anonimização
Rótulos de arquétipo
"A Mentora", "A Vigilante", etc. são identificadores editoriais internos, não nomes de pessoas reais.
UFs
Regiões-âncora do seed.
Marcas de medicamento
Anonimizadas como biológica premium, biológica de segunda linha, sintética nacional, manipulada informal.
A Mentora
Membro 01 · BA · F

Power user da comunidade formal.

Trocou biológica premium por biológica de segunda linha (mesma molécula, preço menor). Fraciona doses; ensina o grupo; sustenta teoria de lobby anti-fracionamento.

A Vigilante
Membro 02 · SC · F

Downtrader de premium para segunda linha por preço.

Alta literacia regulatória — cita ANVISA, patentes, intercambialidade. Combate ativamente o comércio paralelo do Paraguai.

A Escada
Membro 03 · SP · F

Escada completa de downtrading: premium → segunda linha → sintética nacional, tudo por preço.

Queimada por promessa de rede social. Médico é o único validador que confia.

A Decepcionada
Membro 04 · SP · F

Trocou sintética nacional por biológica de segunda linha por eficácia (não por preço).

Pré-diabetes / resistência à insulina. Médico-cêntrica. Orçamento apertado — espera o pagamento para renovar.

A Contra-fluxo
Membro 05 · PB · F

Uptrader em sentido oposto ao grupo: manipulada → biológica premium por colateral.

Única leitora ativa de bula. Crítica ao Estado, mas nuançada — defende manipulada legal, ataca informal.

A Ex-Manipulada
Membro 06 · SP · F

Saiu de clínica de manipulada com resultado — por insegurança de procedência, não por eficácia.

Bariátrica prévia. Segurança supera resultado no decision tree.

Outros nove arquétipos Nove membros complementares — voz institucional formal, iniciante em avaliação, abandonada pós-plateau, migração entre paralelas, pré-cirúrgica, terapêutica DM2, dissonante colateral, churn-não-switch, cautelosa pós-sucesso. Rotam por decisão editorial conforme a comunidade-fonte evolui.
Parte II · Anatomia de um membro

O que cada respondente carrega entre uma onda e a próxima.

A diferença estrutural do painel vivo em relação a um painel one-shot é a persistência de estado. Cada membro carrega seis camadas de contexto que sobrevivem entre ondas — e é a preservação dessas camadas que permite a resposta coerente da décima onda com a resposta da primeira.

01
Identidade

Rótulo + arquétipo — o quem

Identificador estável (persona ID) + rótulo editorial ("A Mentora", "A Vigilante") + arquétipo narrativo de uma frase que ancora o comportamento em casting. É o único ponto que nunca muda entre ondas.

02
Demografia

Base sociodemográfica — UF, sexo, faixa etária, contexto

Herdada da comunidade-fonte quando observável, ou marginais oficiais (PNS 2019, PNAD-C) quando o corpo real não a expõe. Estável entre ondas — só muda se o membro reportar mudança (mudou de UF, aposentou-se etc.).

03
Jornada

Estágio no percurso do produto — iniciante, ativo, plateau, ex-usuário

Momento na jornada de uso: considera, começou, ativo, atingiu plateau, downtrade, abandonou, retomou. Evolui entre ondas conforme o membro reporta transições — e é o que permite ao painel acompanhar uma jornada real ao longo de meses.

04
Comportamento

Padrões observados no corpo real — o como decide

Sensibilidade a preço, tolerância a colateral, dependência de médico, literacia regulatória, disposição a manipulado, apego a marca. Bootstrap sobre a co-ocorrência real do seed preserva essas correlações — não são atributos independentes, são o padrão que o membro já é.

05
Memória

Histórico da conversa entre ondas — o que já disse

Cada resposta anterior fica em dossiê individual do membro. Na onda seguinte, o modelo é ancorado nesse histórico ANTES de responder ao novo estímulo. Uma pergunta sobre "reação a preço novo" leva em conta o que o membro respondeu duas semanas antes sobre "disposição a pagar" — sem contradição forçada, sem reset.

06
Voz

Verbatim real como âncora estilística — o como fala

Vocabulário, tom, gírias regionais, marcadores emocionais preservados do corpo real. Uma nordestina fala como nordestina; uma paulistana fala como paulistana; a mentora fala como mentora. O painel soa como as pessoas que ancorou — não como output genérico de modelo.

Parte III · Onde o painel vivo se encaixa

A terceira modalidade — depois do cold-start e da expansão.

A Mimetica oferece três modalidades complementares de respondente artificial. A distinção não é ideológica — é operacional. Cada uma responde a uma pergunta diferente do cliente.

Modalidade única · Twin-2K-BR

Cold-start populacional

  • N=1.000 respondentes calibrados às marginais oficiais IBGE Censo 2022 + PNAD-C 2024
  • Não requer seed humano prévio
  • Ideal para exploração populacional geral, teste de conceito, precificação, framing de comunicação em categoria nova
Modalidade única · Validação Cega

Expansão seed-based com selo

  • N=1.500 a 5.000 respondentes artificiais expandidos a partir de seed humano do cliente (150–500)
  • Selo SHA-256 de previsão cega para due diligence
  • Ideal para brand tracking, replicar campo humano existente com mais cortes analisáveis
Modalidade contínua · Painel Vivo

Focus group que persiste entre ondas

  • N=10–20 respondentes com identidade estável, memória entre ondas, arquétipo consistente
  • Ancorado em corpus real de comunidade brasileira observada (não amostra de painel online)
  • Ideal para acompanhamento longitudinal de jornada, teste iterativo de mensagem em ciclo curto, exploração qualitativa profunda de segmentos específicos, sessão-por-sessão sobre categoria em movimento
  • Refresh mensal automático — o painel evolui com a comunidade real que ancorou
  • Sessões acumulam como base de conhecimento do cliente — cada nova pergunta se ancora no que já foi respondido

O painel vivo é o focus group que se lembra. E ancorado em conversas reais, ele soa como as pessoas que representa — não como output genérico de um modelo.